domingo, 28 de setembro de 2008

Corrida do Tejo - Cruz Quebrada-Dafundo


IIª Etapa - Cruz Quebrada-Dafundo

Mais uma vez toda esta informação foi retirada e compilada via Internet e só espero ser útil, pois o saber não ocupa lugar.

A Cruz Quebrada - Dafundo é uma freguesia portuguesa do concelho de Oeiras, com 3,00 km² de área e 6 591 habitantes (2001). Densidade: 2 197 hab/km².

A freguesia foi oficialmente criada em 11 de Junho de 1993, por desmembramento da freguesia de Carnaxide. Como o próprio nome indica é constituída pelas localidades de Cruz Quebrada e Dafundo, entre outras mais pequenas.

Tem por orago o Senhor Jesus dos Aflitos.

HISTÓRIA

Localizados na periferia imediata da cidade de Lisboa, a Cruz Quebrada e o Dafundo tiveram, ao longo dos tempos uma evolução estreitamente associada à dinâmica e transformação desta.

Cruz Quebrada e Dafundo pertenciam, assim como o lugar de Algés, ao “Reguengo de Algés”, também denominado por “Algés de Ribamar”, que já no tempo de D. Afonso Henriques designava os terrenos compreendidos entre a Ribeira de Alcântara e o Rio Jamor.

Cruz Quebrada localiza-se junto ao vale do Rio Jamor, prolongando-se um pouco para Norte e para Este.

Situa-se próxima de uma ponte de pedra que permite a travessia do rio, no parapeito da qual existiram duas cruzes, encontrando-se a segunda partida, facto que poderá estar na origem da sua designação.
Outra versão para a origem do nome da localidade é a de que existia na povoação um cruzeiro aparentemente muito venerado pela população. Sendo o cruzeiro moldado em bronze, teria sido roubado pelos franceses, aquando das Invasões, para ser derretido e fazer canhões. Após o roubo, a população passou a garantir que, sem o seu Cristo, a cruz dava brados ou sejam gritos para o ar. Teria por isso passado a chamar-se Cruz Que Brada. O tempo encarregou-se de lhe modificar o nome para Cruz Quebrada, que permanece até à actualidade.

Segundo alguns autores, a primeira referência ao topónimo da Cruz Quebrada surge no Foral da Vila de Oeiras (1760), embora, em documento datado de 1649, este lugar seja mencionado indirectamente, associado ao Forte de Santa Catarina da Cruz Quebrada.

O Dafundo ocupa os terrenos mais próximos da praia com o mesmo nome. As referências ao seu nome (topónimo composto pela junção das palavras “dá” e “fundo”) datam de meados do século passado e, na opinião de alguns autores, está relacionado com a pouca profundidade que o rio Tejo teria nesse local.

Sendo a família do Marquês de Pombal proprietária de terras e casas nestes locais, estes foram, logo a seguir à Vila de Oeiras, os lugares do Concelho que mais beneficiaram da administração do Marquês e das vantagens que o foral da vila lhes concedia. O Marquês de Pombal (Sebastião José de Carvalho e Melo) criou o morgadio do Dafundo para o seu 2º filho varão, José Francisco Maria Adão Macário de Carvalho e Daum, em 1776.

Por outro lado, devido ao facto de estes lugares se encontrarem no caminho de Oeiras, e de este se constituir como “reguengo” - o que instituía obrigatoriamente direitos alfandegários para toda a mercadoria que entrasse nesses domínios – proporcionou-lhes, através dos rendimentos da portagem estabelecidos pelo foral, fonte de receitas complementar e conferiu a estes lugares grande protagonismo na época.

Dada a sua localização e atributos paisagísticos, com a barra do Tejo ali em frente, funcionou ao longo do século XVIII, como local de fuga privilegiado da aristocracia, onde as quintas e os palacetes definiam a estrutura da propriedade, a que se associava uma população residente cuja actividade assentava no sector primário.

A partir da segunda metade deste século, passam a ser lugares muito procurados pelos habitantes de Lisboa como espaço de repouso e lazer. Na Cruz Quebrada viveram alguns ilustres da nossa história e cultura.
Almeida Garrett (que viveu na Quinta do Rodízio, onde terá escrito “Folhas Caídas”) estreou em 1945, num salão particular no Dafundo "Profecias de Bandarra", em 1847 escreve a peça “ O Noivado no Dafundo”.
Aquilino Ribeiro e o historiador Pinheiro Chagas, foram duas personalidades que passavam férias na localidade.

O Dafundo foi local muito procurado pela aristocracia amiga de farra e de boémia, devido à sua fama novecentista como local onde se poderiam encontrar “toureiros, espanholas e fadistas”, assim como “casas de pasto, tascas, petisqueiras, comes e bebes e bom vinho”.
Eça de Queiroz, refere o Dafundo em vários dos seus romances, retractando em "A Relíquia" (1884) e na "A Capital" (1877), a vida boémia que se vivia no Dafundo.

As principais actividades desenvolvidas na área eram a agricultura (cereais, pomares e produtos hortícolas) e a pesca. Existiam ainda algumas quintas de recreio onde se conjugava a exploração silvícola e agrícola. Já no século XIX, foram construídas duas fábricas de curtumes no lugar da Cruz Quebrada.

A partir da construção da Estrada Marginal e com a chegada do comboio em 1889, os lugares da Cruz Quebrada (e do Dafundo) passaram a ser também procurados pelas classes médias e até populares, em busca dos seus areais.

A industrialização da zona, ainda em meados do século XIX, atraiu burgueses e os primeiros operários das fábricas, que “empurraram” aaristocracia para outros locais. A Freguesia aburguesava-se e proletarizava-se, ao mesmo tempo que irrompiam as novas construções e os ares se enchiam de cheiros e fumos.
Instalaram-se na localidade diversas empresas como a “SIPE”, a “Tudor” e a “Lusalite”, entre outras.

A partir dos anos 50, Cruz Quebrada e Dafundo sofreram, à semelhança do que sucedeu noutros lugares do Concelho, uma forte ocupação urbanística, tendo-se transformado numa zona “dormitório” da capital. A partir do final da década de 80, verifica-se um processo de intensa expansão urbana para o interior da Freguesia, integrando-se numa lógica de recomposição do núcleo central.
No passado, Cruz Quebrada e Dafundo eram dois espaços bem distintos, separados por uma avenida, de nome Ivens. Com a construção da Estrada Marginal, os dois lugares ficaram irmanados e totalmente integrados.

Actualmente, é muito difícil, para não dizer quase impossível, distinguir os lugares da Cruz Quebrada e do Dafundo, fazendo parte de um contínuo urbano que se desenvolve, dentro dos limites do Concelho, desde Algés até Oeiras.

Como já foi referido, a Cruz Quebrada – Dafundo constitui actualmente, e desde 1993, a sede de uma das dez Freguesias do Concelho de Oeiras.

A sua criação vem referida no Diário da República ( I Série A - n.º 135, Lei n.º 17.H/93, de 11 de Junho) onde se decreta (nos Artigos 164, alínea d) e 169, número 3) que «É criada no Concelho de Oeiras a Freguesia da Cruz Quebrada - Dafundo, incluindo os aglomerados populacionais da Cruz Quebrada e do Dafundo, bem como o Complexo Desportivo do Estádio Nacional na sua totalidade».

A 8 de Janeiro de 1994, a Assembleia de Freguesia tomou posse, iniciando desse modo, o primeiro mandato da Junta de Freguesia.


PATRIMÓNIO


O património arquitectónico e edificado da Freguesia sobrevivente ao “terramoto urbanizador” que ocorreu a partir da segunda metade do século XX, composto por alguns locais de referência históricos, deveria constituir-se como potencial íman para captar visitantes. Muito embora todo o património abaixo identificado mereça uma breve resenha histórica, actualmente não dispomos de informação necessária para o efeito, pelo que apenas algum será caracterizado.

Assim, podemos salientar os seguintes edifícios:


Capela de Nossa Senhora da Boa Viagem


Local: Alto da Boa Viagem – Cruz Quebrada

Construída em 1734 esteve durante anos fechada ao culto, sendo por muitos desconhecida, uma vez que se encontra envolvida pela vegetação do Complexo Desportivo do Jamor.
Trata-se de uma «pequena capela rústica dedicada à Nossa Senhora da Boa Viagem, construída no local onde outrora existiu o convento de Nossa Senhora da Boa Viagem»...
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Quinta da Graça (Cruz Quebrada)


Local: Estrada da Costa – Cruz Quebrada

Construída sobre o Convento dos Frades Gracianos, no século XVIII, a sua edificação é atribuída ao proprietário José Manuel Machado, armador marítimo. Esta marca de homem do mar está patente na muralha do lado Norte do edifício representando a proa de um navio...


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Ermida e restos do antigo convento de Santa Catarina de Ribamar


Local: Cruz Quebrada

Situado na encosta de Santa Catarina de Ribamar, precisamente na linha imaginária que divide a Cruz Quebrada do Dafundo «o local possui uma paisagem florestal de grande beleza e um excelente panorama sobre o rio Tejo (...).
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Palacete de Santa Sofia (Cruz Quebrada)


Local: R. Sacadura Cabral – Cruz Quebrada

Construção de finais do século XIX, no lugar da Antiga Quinta da Bela Vista, situado numa zona alta junto à Ribeira do Jamor.
O Palacete pertence desde sempre à família Costa Cabral Macedo.
Projecto da autoria do Arquitecto José Luís Monteiro, foi construído em estilo neo-árabe, frisos de azulejo sobre as janelas e diversos elementos em ferro forjado, encimado por cúpulas mouriscas.


Ponte sobre a Ribeira de Jamor


Local: Cruz Quebrada)

De construção filipina (1608), é actualmente Imóvel de Interesse Municipal, designação dada pelo Instituto Português do Património Arquitectónico.
Importante elemento de travessia do rio Jamor, para quem fazia a ligação Este – Oeste, uma vez que «foi através dela que se fez o trânsito de pessoas e veículos até à inauguração da estrada marginal (...)» já no século XX...
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Palácio do Marquês de Pombal - Palácio da Cruz Quebrada (Cruz Quebrada)


Local: R. Sacadura Cabral – Cruz Quebrada

Situado na rua principal que liga Dafundo e Cruz Quebrada, a Rua Sacadura Cabral, o palácio «(...) é uma construção sóbria e alongada, com composição simétrica (...). A entrada principal situa-se a meio da fachada, com um átrio de azulejos e ampla escadaria com pisos em mármore de liós. Foi construído pelo Marquês de Pombal, que nele parava para descansar nas suas viagens entre Oeiras e a lisboeta Rua do Século.». Antigamente era também conhecido por Quinta de S. João das Praias


Quinta de S. Mateus


Local: R. Sacadura Cabral - Dafundo

Datada de finais do século XVIII, pertenceu ao Visconde de Meyreles e é actualmente propriedade da Condessa de Mesquitela.
Tem «(...) um forte embasamento de panos oblíquos e dois volumosos torreões de remate. Um frontão imprime-lhe um certo gosto neoclássico, mas os valores a habitar estão mais presentes no generoso pátio lateral de acesso (...), nos jardins densamente arborizados, nos patamares sobrelevados (...)»...
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Casa da Antiga Quinta de S. João do Rio, ou dos Palhas


Local: R. Direita do Dafundo - Dafundo

Local onde actualmente funciona o Instituto Espanhol de Lisboa, «foi um palácio setecentista, de fundação joanina, (...) muito alterado na década de 1970 para os fins escolares. Sobre um embasamento alteado, os pátios bem desenhados envolvem a construção de dois pisos (...)»;


Quinta/ Casa do Cedro


Local: R. Sacadura Cabral ou Av. Ivens - Dafundo

Situada no Dafundo, no arruamento paralelo à linha do comboio que posteriormente veio a chamar-se Avenida Ivens (parte integrante da Avenida Marginal), trata-se de uma casa apalaçada rodeada por um amplo relvado. Residência solarenga, foi habitada pelo Almirante Roberto Ivens e pelo seu companheiro de aventura Hermenegildo Capelo, onde ambos os exploradores vieram a falecer.


Fonte da Maruja


Local: R. Direita do Dafundo - Dafundo

Actualmente designada de “Chafariz do Dafundo”, encontra-se integrada num conjunto de escadinhas e mirante.
Além da sua curiosa decoração, tem um forte valor simbólico por se encontrar intimamente ligado ao nosso passado marítimo. «Ficou célebre no século XVIII pois era neste local que os barqueiros do Tejo se abasteciam de água doce».


Aquário Vasco da Gama


Local: R. Direita do Dafundo - Dafundo

Inaugurado a 20 de Maio de 1889 no âmbito das comemorações do 4º Centenário da descoberta do Caminho Marítimo para a Índia.
Teve como impulsionador D. Carlos Rei, de Portugal, que esteve presente na inauguração.Trata-se de uma instituição de carácter científico e cultural, única à época em Portugal. É constituído por quatro núcleos principais, ao longo dos quais são apresentados os segredos da vida marinha.


Próxima etapa: Caxias

1 Comentários:

Às 24 de fevereiro de 2010 às 12:58 , Anonymous Anónimo disse...

Olá André.
Gostaria por favor que me indicasse onde posso encontrar a referência que o Palacete de Santa Sofia (Cruz Quebrada)foi da autoria do Arquitecto José Luís Monteiro.
Obrigado
Ana Paula
anapaulacml@hotmail.com

 

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